Desertos distantes, ilhas remotas… Lugares de difícil acesso há vários pelo mundo, mas o local mais inacessível da Terra fica em meio a águas extremamente geladas e muito longe de qualquer continente – cerca de 2 mil quilômetros, como conta o National Ocean Service (Noaa), dos Estados Unidos.
Se a ideia de “fugir de tudo e ir para o lugar mais remoto do mundo” para ficar distante das complicações te traz a imagem de uma ilha tropical, a realidade é bem outra. O ponto mais remoto da Terra fica no oceano Pacífico, mas a muitos quilômetros de qualquer ilha e em mares gelados.
A National Geographic conta onde está localizado o lugar mais remoto e inacessível do planeta e algumas curiosidades sobre esse ponto gélido que por ser tão distante, virou até um “cemitério” de espaçonaves.
O local mais remoto do planeta é chamado de Ponto Oceânico de Inacessibilidade ou Polo de Inacessibilidade, mas que ganhou o nome popular de “Ponto Nemo” em homenagem ao capitão do submarino fictício do famoso livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne. Isso porque Nemo buscou a solidão nas profundezas do oceano a bordo de seu submarino, o Nautilus, de acordo com o site do Marine Science Institute da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.
Segundo o Noaa, o Ponto Nemo fica no oceano Pacífico, nas águas geladas remotas situada nas coordenadas 48°52,6′S 123°23,6′W, a cerca de 2.688 quilômetros da porção de terra mais próxima: a Ilha Ducie, parte das Ilhas Pitcairn, ao norte; Motu Nui, uma das Ilhas de Páscoa, a nordeste; e a Ilha Maher, parte da Antártica, ao sul.
O engenheiro croata Hrvoje Lukatela calculou a localização exata do Ponto Nemo em 1992, com ajuda de programas de computador e satélites de GPS, como explica o site da Science Teacher Associations of Ontario, no Canadá – uma organização de estudiosos de ciência e tecnologia.
Além disso, o Ponto Nemo é uma região em que quase não há vida. Isso porque as correntes oceânicas impedem que os nutrientes cheguem à superfície, portanto, há pouco para sustentar a existência de algum ser vivo. E também não há muitos navios que cruzam a região.
Acima, o explorador britânico Chris Brown e seu filho, Mika Brown, no Ponto Nemo na expedição que fizeram em março de 2024 - possivelmente se tornando os primeiros humanos, até então, a passar por essas coordenadas específicas.
Devido à sua localização remota, o Ponto Nemo é usado pela Nasa (agência norte-americana de aeronáutica e espaço) e por outras agências espaciais do mundo (como a Skylab e a estação soviética Mir), como um cemitério subaquático para espaçonaves desativadas e outros detritos espaciais, afirma a instituição de estudos marítimos da Universidade do Texas.
Quando satélites antigos, peças de foguetes e estações espaciais se tornam velhas ou têm algum problema, elas se tornam um perigo para todas as outras em órbita no espaço. Por conta disso, a Nasa e outras agências espaciais resolveram deixá-las num local remoto e seguro: um lugar quase totalmente remoto no Oceano Pacífico para ficar para sempre no fundo do mar.
Estima-se que mais de 260 espaçonaves foram deixadas no Ponto Nemo nos últimos 50 anos. Também se espera que a atual Estação Espacial Internacional seja deixada no Ponto Nemo quando for tirada de órbita em 2031.
Segundo a própria Nasa, “atualmente, há duas opções: para os que estão mais próximos da Terra, os engenheiros usam a última parte de combustível do satélite ou estação para desacelerá-lo, assim ele cairá de sua órbita e queimará na atmosfera. A segunda opção é enviar o satélite para cair na região mais inóspita do planeta, o Ponto Nemo – que tem até um apelido – o Cemitério de Espaçonaves”.