O banco de dados foi atualizado e relançado na última segunda-feira (8), com informações relativas ao período de 1854 a 2022 para 122 empresas cuja parcela de CO2 equivale a 72% das emissões globais desde o início da Revolução Industrial. O montante soma 1.421 gigatoneladas do poluente lançadas na atmosfera.
Em Paris, os representantes dos países presentes se comprometeram a reduzir os gases de efeito estufa emitidos, mas o novo relatório mostra que houve um aumento da produção de combustíveis fósseis de megaprodutores em comparação aos sete anos anteriores ao acordo.
No período analisado, a ExxonMobil, corporação de petróleo e gás dos Estados Unidos, esteve associada a uma emissão de 3,6 gigatoneladas de CO2, ou seja, 1,4% do total global. Shell, BP, Chevron e TotalEnergies tiveram relação com ao menos 1% das emissões totais. Um destaque também é o aumento crescente de emissões de produtoras estatais e de propriedade do Estado.
Na China, a produção estatal de carvão é responsável pela maior participação registrada: são 14% do CO2 global histórico, mais que o dobro da proporção da antiga União Soviética e mais de três vezes que a da Saudi Aramco, petroleira estatal da Arábia Saudita, que ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugar da lista.
Na sequência, estão as empresas dos EUA Chevron (3%) e ExxonMobil (2,8%), seguidas pela russa Gazprom e pela National Iranian Oil Company, do Irã. Depois, vêm as europeias BP e Shell, de propriedade de investidores, cada uma com mais de 2% da emissão, e a Coal India em seguida.
"Se as coisas continuarem como estão, não teremos um planeta habitável para nossos filhos e netos. Precisamos reunir vontade política, corporativa e política para evitar a pior ameaça que as mudanças climáticas representam", disse Richard Heede, que criou o conjunto de dados em 2013, ao jornal britânico The Guardian.
Com operações fragmentadas entre diferentes empresas, os EUA são o maior produtor de petróleo e gás mundial. A produção asiática, por sua vez, sofreu uma ascensão neste século: a participação chinesa subiu para mais de um quarto da emissão mundial, ao passo que a Saudi Aramco representa quase 5%. No Top 10, os EUA surgem na 11ª posição com a ExxonMobil.
"É moralmente repreensível que as empresas continuem expandindo a exploração e a produção de combustíveis de carbono diante do conhecimento de décadas de que seus produtos são prejudiciais", afirmou Heede. "Não culpe os consumidores que foram forçados a depender do petróleo e do gás devido à captura do governo pelas empresas de petróleo e gás."