Um ovo de galinha comum cabe confortavelmente na palma de sua mão. Esse espécime raro e fossilizado de ovo da coleção histórica da National Geographic é mais de 100 vezes maior. Com pouco mais de 30 cm de comprimento e quase 23 cm de diâmetro, o enorme ovo intacto pertencia a um pássaro-elefante (Aepyornis maximus), um herbívoro que não voava e era endêmico de Madagascar, extinto pelo menos desde o século 17.
O pássaro-elefante pertencia a um grupo de aves que não voam chamado ratites, cujos membros incluem kiwis, avestruzes, ema, emas e casuares.
Atualmente, os pesquisadores acreditam que a ave se assemelhava a um avestruz de tamanho grande, embora fosse mais parecida com o kiwi, uma espécie menor de ratito (aves que não voam). Suas pernas grossas tinham de suportar um peso considerável: os adultos chegavam a ter 3 metros de altura e mais de 453 Kg.
A linhagem do pássaro-elefante data de cerca de 50 milhões de anos atrás, mas seu número diminuiu quando os humanos se estabeleceram em Madagascar. O que aconteceu? Gifford Miller, geólogo da Universidade do Colorado, em Boulder (Estados Unidos), que estudou as cascas de ovos do Aepyornis, diz que a predação humana pode ter sido a causa – talvez antes mesmo de as aves eclodirem dos grandes ovos.
By some estimates, one elephant bird egg was the equivalent of 120 chicken eggs, making it an attractive food source for humans.
Foto de Rebecca Hale, NGM StaffOs ovos provavelmente eram duráveis o suficiente para que os humanos pudessem carregá-los para longe dos ninhos. As evidências sugerem que eles eram bastante resistentes: dois ovos completos de pássaro-elefante foram descobertos em praias da Austrália Ocidental, aparentemente tendo flutuado mais de 6400 Km pelo Oceano Índico.
Para os humanos, caçar seus ovos teria sido mais simples do que subjugar o pássaro de meia tonelada. Como observa Miller, quando se trata de manter nossa espécie viva, “somos extremamente eficientes”.