As cobras e serpentes – sejam elas venenosas ou não – passam por uma mudança corporal drástica à medida que vão crescendo. Para dar conta desta característica do animal, a natureza precisou encontrar uma “saída” criativa a fim de que aumentem seu tamanho. Conforme vão chegando à idade adulta, as cobras mudam de pele. O processo também é chamado de ecdise.
O fato se dá porque as peles das cobras e serpentes não crescem com elas, como explica um artigo dedicado ao tema da Encyclopedia Britannica (plataforma de conhecimentos gerais do Reino Unido). Já outro artigo, desta vez do Museu Nacional da Amazônia – entidade pertencente ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) –, detalha que diversos fatores impactam na periodicidade das trocas de pele das serpentes.
Segundo a fonte, essas “mudas” dependem de fatores variados como “idade, crescimento, alimentação, saúde e condições climáticas (umidade e temperatura)”.
Para entender melhor como funciona o processo que envolve o ciclo de vida desses répteis, confira abaixo três dados surpreendentes sobre ele.
A pele de uma serpente não identificada foi deixada do lado de fora da toca de um roedor na região de Cochise County, no Arizona, Estados Unidos.
A Britannica explica que quando a pele nova está pronta, ela vai substituindo a antiga – que se solta e se desprende do corpo pouco a pouco. É como se uma camada entrasse no lugar da outra, parecendo uma “troca” de roupa, sem que todas as peças tenham sido retiradas antes de vestir as próximas.
“Esse processo de troca é crucial para o crescimento e a saúde geral da serpente, pois permite que ela mantenha uma camada de pele nova e funcional”, diz a fonte britânica.
Como a pele desses répteis é recoberta por escamas de queratina – que são resistentes e pouco elásticas, diz a Britannica, elas impedem que o animal aumente de tamanho. Por outro lado, é essa proteção que impede as cobras de se desidratarem ou se machucarem ao percorrer solo ou árvores.
Ainda segundo a Britannica, o processo de ecdise “desempenha um papel vital na manutenção da saúde das serpentes”, porque à medida que a pele antiga se desprende do corpo do animal, leva com ela parasitas – como ácaros, por exemplo – que podem ter se fixado na camada antiga.
“Ao trocar de pele, as serpentes se livram desses ‘caroneiros’ indesejados, garantindo que a nova pele esteja livre de parasitas e outros irritantes em potencial”, afirma a fonte.
Uma cobra cascavel mostra sua “sociabilidade”, com direito a cuidados maternos com os filhotes. A foto mostra como a espécie muda de tamanho à medida que cresce, bem como as transformações na pele do animal, que ganham outros tons para suas cores.
Durante o processo de deixar a pele antiga para trás, as cobras ficam mais vulneráveis, pois o processo também impacta o funcionamento de seus olhos, explica o artigo do Museu da Amazônia. “Com o acúmulo de fluidos entre a velha e a nova camada, os olhos da serpente tornam-se opacos, prejudicando sua visão e tornando-a mais suscetíveis a predadores", afirma a fonte.
A Britannica complementa a informação explicando que, neste momento, os olhos das serpentes podem “apresentar uma cor azul leitosa ou turva, indicando que a pele velha está se soltando”.
Quando os olhos do animal ficam claros novamente, a cobra “começa a esfregar a cabeça contra superfícies ásperas”. Isso se dá para que a pele antiga descasque inicialmente ao redor do nariz e da boca e, por fim, o animal rasteja para que vá perdendo a pele antiga no resto do corpo, detalha a plataforma de conhecimento britânica.
“A nova pele apresenta cores bem vivas, ressaltando os desenhos característicos de cada espécie", completa a fonte.