Todo mundo já ouviu falar que comer cenoura pode ajudar a melhorar a visão ou que o leite rico em cálcio é bom para os dentes e ossos. Mas e quanto ao cérebro?
“Do ponto de vista de um neurocientista, a alimentação é realmente de fundamental importância para a saúde do cérebro, porque esse órgão funciona, literalmente, com nutrientes”, diz Lisa Mosconi, diretora da Weill Cornell Women's Brain Initiative e autora do livro “Brain Food: The Surprising Science of Eating for Cognitive Power” (algo como “Alimento para o Cérebro: A Surpreendente Ciência da Alimentação para o Poder Cognitivo”).
O cérebro precisa de diferentes nutrientes à medida que envelhece, e a primeira infância é um período particularmente crítico para o crescimento, o desenvolvimento e a saúde do cérebro.
“Mesmo nos primeiros anos de vida, o cérebro está realmente produzindo neurônios na velocidade da luz”, diz Mosconi, que também é neurocientista. “O cérebro de um bebê tem mais neurônios, mais células cerebrais, do que estrelas na Via Láctea.”
No geral, os cientistas descobriram cerca de 45 nutrientes que são fundamentais para a saúde do cérebro, incluindo proteínas, zinco, ferro, colina, folato, iodo, vitamina A, vitamina D, vitamina B6, vitamina B12 e ácidos graxos ômega-3.
É claro que as palavras “folato” e “colina” provavelmente não darão água na boca de ninguém – seja essa pessoa uma criança ou não –, portanto, o truque é escolher os alimentos que são naturalmente ricos em nutrientes. Além dos alimentos listados abaixo, considere acrescentar ao cardápio aveia, nozes, frutas cítricas, feijões e vegetais de cores diferentes.
“Começar cedo é fundamental”, diz Claire McCarthy, pediatra do Boston Children's Hospital e professora assistente de pediatria da Harvard Medical School, nos Estados Unidos. “Se a criança só conhece alimentos saudáveis, é muito menos provável que brigue com os pais para comê-los.”
Ao focar em alguns grupos de alimentos e experimentar novas formas de prepará-los, estimular o crescimento do cérebro das pessoas da família pode ser mais fácil do que se imagina.
Até mesmo frutas vermelhas, como amoras, framboesas, morangos e mirtilos, estão repletas de vitamina C e, embora a maioria das pessoas associe esse nutriente ao sistema imunológico, o cérebro também precisa dele.
A vitamina C é um antioxidante, diz Mosconi, o que significa que ela desempenha um papel crucial na neutralização dos radicais livres que ocorrem naturalmente e que causam danos ao nosso DNA e às células. “Ela também é importante para a formação de neurotransmissores, as substâncias químicas usadas para sinalização no sistema nervoso”, diz Mosconi. Sem vitamina C suficiente, a integridade de muitos tecidos do corpo, inclusive do cérebro, começa a se enfraquecer.
Framboesas, cerejas escuras, amoras e bagas de goji são outras superestrelas nessa categoria. As bagas também apresentam uma boa combinação de açúcares naturais e fibras, o que é importante para o sistema digestivo.
Mas como fazer com que as crianças comam essas comidas? As frutas vermelhas provavelmente serão as mais fáceis de vender nessa lista, mas Mosconi recomenda mergulhar as frutas vermelhas em iogurte ou até mesmo em chocolate amargo, este último que possui seus próprios benefícios para o cérebro graças a um aminoácido essencial chamado triptofano.
A pessoa também pode congelar as bagas e misturá-las em um sorvete com um toque de suco de limão e xarope de bordo.
Essa fruta, seja fresca ou seca, é uma excelente fonte de triptofano, um aminoácido essencial ligado a um neurotransmissor chamado serotonina, que pode ajudar a regular o humor. Manter o cérebro abastecido com triptofano também ajudará a dormir à noite, que é quando o órgão descansa e se repara. As sementes de chia e o cacau cru – o ingrediente do chocolate amargo – também contêm triptofano.
Mas como fazer com que as crianças comam ameixa: com uma combinação deliciosa de doçura e sabor, as ameixas secas em purê podem ser um dos primeiros alimentos sólidos do seu bebê.
À medida que as crianças crescem, as ameixas inteiras são uma alternativa divertida às maçãs na lancheira. Ou é possível cortar as ameixas ao meio e passá-las em manteiga de amendoim crocante para um lanche saudável cheio de fibras e proteínas.
Se existisse um alimento a ser enfocado para a saúde do cérebro das crianças, seriam as verduras de folhas escuras, diz Mosconi, cujo livro mais recente se chama “The XX Brain: The Groundbreaking Science Empowering Women to Maximize Cognitive Health and Prevent Alzheimer's Disease” (“O Cérebro XX: A Ciência Inovadora que Capacita as Mulheres a Maximizar a Saúde Cognitiva e Prevenir o Mal de Alzheimer” em tradução livre).
Mas ela ainda é honesta: “As crianças não vão comê-los”. Então, em vez disso, que tal um tubérculo que é naturalmente doce, incrivelmente versátil e repleto de outro antioxidante conhecido como vitamina A? Essa vitamina essencial é importante para a saúde geral do cérebro, mas a falta grave dela pode, na verdade, prejudicar o desenvolvimento e a função do sistema nervoso central.
Como fazer com que as crianças comam: é possível servir a batata doce amassada, assada, frita, grelhada... Ou mesmo transformá-la em bolinhos, tortas ou sopas. As possibilidades são infinitas.
Mais da metade do cérebro é composta de gordura, o que significa que os lipídios desempenham um papel na saúde neurológica. Mas o tipo de gordura que se ingere é importante. Por exemplo, um tipo de gordura ômega-3 conhecido como DHA (ácido docosahexaenoico) é extremamente importante para a formação de células nervosas.
Essas células são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento saudáveis do cérebro, bem como pelas habilidades de aprendizado, diz Mosconi. Para obtê-lo, “é preciso se concentrar em peixes gordurosos de água fria”. Alguns dos peixes mais ricos em DHA são o salmão, a cavala, a anchova, a sardinha e o arenque.
Como fazer com que as crianças comam esses peixes: mãe de uma filha pequena, Mosconi costuma fazer o que ela chama de “filé de peixe elevado”. Primeiro, mergulhe um filé de peixe em uma tigela com ovo e, em seguida, em uma tigela com pistache, amêndoas, farinha de rosca e sal finamente triturados.
Para finalizar, salteie em óleo de coco ou azeite de oliva extra virgem. Obviamente, se o seu filho não quiser tocar em um dos peixes recomendados pelos especialistas, pode ser útil acostumá-lo ao sabor de peixes como a tilápia e o bacalhau, que também têm ácidos graxos saudáveis, diz McCarthy.
Ela também aconselha que os pais também precisam fazer o mesmo. “As crianças observam seus pais e aprendem com eles”, diz McCarthy. “Se você quer que seus filhos comam alimentos saudáveis para o cérebro, você também precisa comê-los.”