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O que uma sensação térmica acima dos 50ºC pode fazer com o corpo humano?

O processo de regulação do calor no corpo humano é complexo, mas quando pressionado por temperaturas excessivamente altas, coloca em risco aqueles com saúde vulnerável.

Publicada em 17/02/25 às 08:48h - 38 visualizações

por Kativa FM \\ National Geographic


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A perda de líquidos pode se manifestar de diversas formas durante uma onda de calor e é capaz de causar maior sonolência, torpor, irritação, alterações como convulsões ou desmaios em casos mais extremos, como indicam os especialistas em saúde. Foto  (Foto: Kativa FM \\ National Geographic)

ano de 2025 já começou quebrando um recorde. De acordo com o Instituto Copernicus, órgão do observatório climático da União Europeia (UE), janeiro foi o mês mais quente já registrado na história, com um aumento de 1,75ºC em relação ao período pré-industrial

Isso significa que a média da temperatura do ar na superfície superou os registros de todos os meses de 2024 – que já havia sido considerado o ano mais até então – chegando a 13,23ºC no mês de janeiro. 

Para boa parte do Hemisfério Sul, que está em sua temporada de verão, essas altas temperaturas se vêem refletidas nas ondas de calor. Elas já começaram a aparecer em lugares como a Argentina – onde os termômetros poderiam marcar até 42°C em previsões feitas pelo Serviço Meteorológico Nacional do país, em fevereiro; bem como no Brasil, onde a sensação térmica poderá passar dos 50ºC, como mostra a projeção de uma tabela criada pelo Núcleo de Climatologia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP) neste mês. 

Mas como o corpo humano reage a temperaturas tão altas e sensações térmicas abafantes? Para saber o que acontece no organismo, a National Geographic Brasil conversou com o Dr. Natan Chehter, clínico geral e geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Estadual Mário Covas, em São Paulo. 

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Um termômetro, no centro da cidade do Rio de Janeiro, chega a marcar 40 graus em meio a forte onda de calo ocorrida em 2023. De lá para cá, diversos outros fenômenos como este têm ocorrido pelo mundo e a América do Sul vem sofrendo com temperaturas bastante altas.

Foto de Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

1. Como o corpo humano regula sua temperatura?  

“O corpo humano tem alguns mecanismos que ele usa para tentar regular a temperatura. O objetivo é sempre manter a temperatura corporal estável, então quando está frio, o organismo tenta diminuir as trocas de calor para o ambiente; ao passo que quando está calor, tenta trocar mais desse calor com o ambiente para que o corpo não se esquente”, começa a explicar o especialista. 

Para fazer esse trabalho, o organismo regula o calibre dos vasos sanguíneos, afirma o médico. Isso faz com que as extremidades do corpo (ponta de dedo, nariz, orelhas, etc), que são partes bem irrigadas, tenham o suplemento de sangue para elas controlado, “fazendo com que o organismo trabalhe como se fosse um radiador”, diz.

“Para que haja maior troca de calor no momento em que está quente, é preciso mandar mais sangue para a periferia do corpo. E ao fazer isso, de um ponto de vista de hemodinâmica, significa que o corpo humano está vasodilatando, está aumentando o calibre dos vasos sanguíneos”, afirma a fonte. 

Ao passo que, durante os dias frios, o que ocorre é justamente o contrário. “Por isso que as pessoas reclamam quequando a temperatura está baixa, começam a doer partes do corpo”, afirma. 

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Um enfermeiro voluntário examina uma mulher idosa durante uma onda de calor. As pessoas acima dos 60 anos estão entre as que mais correm riscos de saúde por causa das altas temperaturas e sensaçãoes térmicas. 

Foto de William Daniels

2. Quem fica mais suscetível aos efeitos de uma sensação térmica elevada?

Mas vasodilatar os vasos sanguíneos tem algumas consequências, diz a fonte. “Pacientes saudáveis, em geral, quando têm vasodilatação, não sofrem com essa questão da redução da pressão”, detalha o Dr. Natan Chehter.

O problema acontece quando o indivíduo tem uma regulação mais prejudicada da pressão sanguínea. “Pessoas idosascrianças, pacientes que já tomam alguma medicação para hipertensão, muitas vezes têm essa regulação da vasodilatação mais prejudicada. A depender de sua saúde cardiovascular, elas podem, eventualmente, sofrer mais com o calor e com o processo de vasodilatação”, diz o médico. 

Além disso, ele detalha que também existem questões individuais, com “pessoas mais sensíveis ao calor” do que outras, pois promovem essas “adaptações do corpo ao calor de forma mais difícil ou mais lenta”. 

3. Como temperaturas muito altas e uma sensação térmica de 50ºC afetam a saúde?

“As reações esperadas ao calor e ao fato do corpo mandar mais sangue para suas extremidades são, por exemplo, uma maior sudorese”, diz o médico. 

Mas o suor excessivo faz a pessoa perder líquidos: “a ideia do corpo é eliminar um pouco de líquido para que ele evapore e seja possível uma troca de calor mais eficaz com o ambiente”, afirma. Mas se a pessoa sua muito e não repõe o líquido perdido através dele, ela acaba se desidratando

“Essa é uma consequência muito negativa”, comenta o especialista. E para piorar, as pessoas idosas, em especial, têm um mecanismo de sede prejudicado por causa do envelhecimento de alguns receptores da língua. Isso faz com que o idoso tenha menos sensação de sede”, conta. 

Ainda que isso seja natural do envelhecimento, no calor extremoa pessoa idosa – que muitas vezes já não tem uma regulação de pressão excelente, igual a de um jovem, e pode ser que tome algum remédio de pressão que é capaz de interferir nesse processo – já não sente tanta sede. Através desses mecanismos todos podem acabar acontecendo uma desidratação ou uma queda de pressão muito importante”.

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A média da temperatura do ar na superfície, em 2025, aumentou e já superou todos os meses de 2024. O mapa do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mostra como o país estará com termômetros nas alturas no mês de fevereiro deste ano.

Foto de Reprodução Site do INMET

4. Como a desidratação resultante do calor extremo se manifesta?

 Segundo o expert em saúde, a perda de líquidos pode se manifestar de diversas formas – “desde maior sonolência, torpor, irritação, alterações como convulsões ou desmaios em casos mais extremos”, diz o Dr. Chehter.

“A desidratação grave pode gerar repercussões do ponto de vista de função dos rins, prejudicando sua função e levando o corpo à desregulação dos seus sais minerais”, informa o médico. É o que se chama de distúrbio hidroeletrolítico, detalha ele, reforçando que a desidratação grave “tem impactos muito sérios e pode, sim, vir a causar o óbito”. 

5. É possível “morrer de tanto calor”?

O médico afirma que sim, existem pessoas que podem morrer de calor em decorrência da desidratação. Mas outro motivo que pode levar a pessoa ao óbito é também essa desregulação da pressão

“A tentativa de tentar equilibrar uma pressão mais baixa exige também mais da saúde do coração. Muitas das pessoas não aguentam, em especial quem tem problema cardíaco. Então, o calor excessivo para quem tem problemas cardíacos pode ser um grave problema”, completa o médico. 




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