O cacau é a principal matéria-prima do chocolate, feito por meio da torra e moagem das suas amêndoas secas. Cerca de 50% do chocolate mundial é originário de cacaueiros dos países da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana.
Conforme a nova pesquisa, o vírus cacau swollen shoot ("vírus do caule inchado do cacau", CSSV) está gerando uma perda de colheita de 15% a 50% nos cacaueiros em Gana. Segundo informativo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o agente infeccioso pode infectar a planta de cacau em qualquer fase de seu desenvolvimento. Em variedades suscetíveis, ele pode matar a árvore após 2 a 3 anos, com perdas de até 25% no primeiro ano.
O CSSV é transmitido por pelo menos 14 espécies do inseto cochonilha (Coccidae), que retêm o vírus por algumas horas. Esses artrópodes comem as folhas, botões e flores das árvores de cacau. A infecção entre as plantas ocorre por enxertia (união dos tecidos de dois exemplares) e não por dispersão de semente, pólen e nem contato entre árvores.
“Os pesticidas não funcionam bem contra as cochonilhas, fazendo com que os agricultores tentem prevenir a propagação da doença cortando árvores infectadas e criando árvores resistentes", conta o autor do estudo, Benito Chen-Charpentier, em comunicado. "Mas, apesar destes esforços, o Gana perdeu mais de 254 milhões de pés de cacau nos últimos anos.”
Os agricultores não conseguem combater a praga devido ao alto custo das vacinas contra o vírus, especialmente para os proprietários de baixa renda. Além disso, o cacau colhido pelas árvores vacinadas é menor, e o CSSV continua devastando a plantação.
Os cientistas da Universidade do Texas, em Arlington, nos Estados Unidos, e colegas decidiram analisar dados matemáticos para solucionar o problema. Eles calcularam a qual distância os agricultores podem plantar árvores vacinadas para evitar que os insetos espalhem o vírus pulando entre as plantas.
“As cochonilhas têm vários modos de movimento, incluindo mover-se de copa em copa, sendo carregadas por formigas ou sopradas pelo vento”, afirma Chen-Charpentier.
Os pesquisadores usaram técnicas de padrões matemáticos para criar dois tipos diferentes de modelos, que permitem aos agricultores criarem uma camada protetora de árvores de cacau vacinadas ao redor daquelas não imunizadas. Isso pode ajudá-los a cuidar de suas colheitas e a manter a produção de chocolate.
Os modelos, ainda em fase experimental, permitem até mesmo aos pequenos agricultores manterem custos administráveis, segundo conta Chen-Charpentier. “Isso é bom para os resultados financeiros dos agricultores, bem como para o nosso vício global em chocolate", ele diz.